terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Transcontextualidade (ou como mudar de engrenagem!)

Vamos falar um pouco de transcontextualidade…


Estão prontos para esta sessão? Espero que sim, porque eu estou!


Apesar de ser um palavrão enorme para o qual nem o MSWord tem corrector, refere-se a um princípio muito simples que qualquer pessoa pode utilizar para melhorar o seu desempenho em qualquer área da sua vida.


A ideia base é que os princípios, as estratégias e as técnicas que utilizamos com sucesso numa certa área da vida podem ser usadas em qualquer outra área para produzir sucesso. Parece simples? É simples! Afinal, se algo funciona, preciso continuar a repetir mais do mesmo. É um velho princípio da PNL que diz que “quando continuamos a fazer o que sempre fizemos vamos continuar a ter os resultados que sempre tivemos”.


O problema da transcontextualidade é encontrar um método que o torne prático, rápido e preciso.


Nesse aspecto o supercoach Michael Neill desenvolveu um modelo a que chama “Mudar de Engrenagem” (Shifting G.E.A.R.s) e explica como o podemos pegar em qualquer hábito ou prática da nossa vida em que tenhamos sucesso (literalmente qualquer uma, desde que haja sucesso) e podemos aplicar em qualquer outra.


Este é um exercício que recomendo fazer no papel…


Para mudar de engrenagem, precisamos de uma primeira engrenagem, que será a prática na qual já temos sucesso. Relembro que pode ser QUALQUER COISA desde que seja bem feita.


No meu caso, quando comecei a brincar com esta técnica, o exemplo que me ocorreu de algo que faço muito bem é acordar. Sim, isso mesmo, acordar. Durante toda a minha vida, quer tenha dormido muito ou pouco, quer tenha bebido uns copos a mais ou a menos, sempre acordei e tratei de mim bem e rapidamente e estava pronto para a acção.


Penso que o “acordar” demonstra bem como podemos pegar em qualquer aspecto da nossa vida para aplicar esta técnica. Afinal, perguntam, como passar isto para outro contexto?


Vamos ver…


O “acordar” seria a primeira engrenagem (G.E.A.R.).


E aí temos:


G – Goal (objectivo) – Acordar com vitalidade e rapidamente e estar pronto a actuar num curto espaço de tempo


E – Evidence (evidências de sucesso) – Não deixar o despertador repetir ao fim de cinco minutos. Eliminar o alarme em causa de imediato. Estar no duche no máximo cinco minutos depois do despertador tocar.


A – Action (acções para o sucesso) – Agir de imediato. Levantar da cama e movimentar alguns músculos para estabelecer a circulação. Confirmar as horas. Não parar nem hesitar. Nunca divagar.


R – Recovery Strategies (estratégias de recuperação) – Quando acordar é mais difícil recordo o trabalho que está a minha espera e as responsabilidades que assumi. Penso nas pessoas que estão dependentes de eu acordar a horas. Forço o corpo a mexer-se.


E assim temos a primeira engrenagem… (G.E.A.R.)



E agora como passei isto para outro contexto? Bem, o contexto que usei foi a realização de trabalho (tem tudo a ver, não tem? J). Na altura tinha em mãos muitas formações diferenciadas, cursos e coaching. Todas estas actividades envolviam uma miríade de tarefas burocráticas que me estavam a ser difícil coordenar. Haviam relatórios a ser feitos, planos de sessões, avaliações, tasking de coaching, follow-up das sessões, trabalhos para os cursos, apresentações e slides, etc.


Então para a segunda engrenagem (G.E.A.R.) usei os mesmos princípios!


G – Goal (objectivo) – Despachar o trabalho burocrático antes do prazo terminar (inspirador não?!).


E – Evidence (evidências de sucesso) – Não ultrapassar muito o prazo (lindo!)


A – Action (acções para o sucesso) Fazer coisas (já se percebe porque precisei de mudar de engrenagem?)


R – Recovery Strategies (estratégias de recuperação) – Fazer noitadas ou pedir adiamento do prazo.



Nessa altura, como é óbvio, resolvi mudar de engrenagem, para passar a ter mais sucesso nesta área da minha vida.


Então para a segunda engrenagem (G.E.A.R.) usei os mesmos princípios!


G – Goal (objectivo) – Despachar o trabalho burocrático a tempo e horas. Antecipar os prazos. Fazer um trabalho de qualidade.


(aqui é que começa a “magia”, aqui é que mudamos de engrenagem (shift G.E.A.R.) ao aplicar os mesmos princípios neste novo contexto)


E – Evidence (evidências de sucesso) – Não deixar o deadline aproximar-se do fim. Enviar a burocracia entes do prazo. Ter todos os trabalhos burocráticos realizados uma semana antes de serem exigidos.


A – Action (acções para o sucesso) – Agir de imediato. Pegar no primeiro trabalho burocrático que me apareça e actuar sobre ele. Se não o vir, procurar para manter o meu espírito desperto. Confirmar o que me foi pedido. Não parar nem hesitar. Nunca divagar.


R – Recovery Strategies (estratégias de recuperação) – Quando é mais difícil recordo o trabalho que está a minha espera e as responsabilidades que assumi. Penso nas pessoas que estão dependentes de eu entregar a horas. Forço o trabalho a ser feito e a começar. Penso nas consequências de não o fazer ou fazer em cima do prazo.



Os resultados foram e continuam a ser absolutamente espectaculares! Isto efectivamente funciona e o modelo de engrenagens do Michael Neill é o melhor exemplo de como um princípio aparentemente esotérico como a transcontextualidade pode ser posto em prática de forma simples e elegante!


Resumindo:


1 – Precisam de algo que já façam muito bem (pode ser qualquer coisa)!

2 – Escolham a o contexto que pretendem melhorar.

3 – Mudem de engrenagem (G.E.A.R.) analisando os objectivos, as evidências, as acções e as estratégias de recuperação.


Testem isto! Funciona!

2 comentários:

Paulo Lontro disse...

EXCELENTE !

O ponto menos claro para mim é o R.
Podes esclarecer?
Abraço
:)

Ricardo Rebelo disse...

Obrigado pelo comentário.

Estratégias de recuperação são as acções "extra" que se tomam quando não está a correr bem.

Quando notamos que algo devia estar a correr bem mas por algum motivo não está, então que medidas "extra" tomamos para retomar rapidamente o caminho?

Estas não são sempre usadas, mas ficam como um plano B para os dias mais complicados ;)

Abraço,