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quarta-feira, 9 de março de 2011

Auto Hipnose

A pedido de várias pessoas, que tenho tido o prazer de acompanhar em processos de coaching e de hipnose, aqui ficam as instruções para um processo simples de auto-hipnose.

Este texto foi adaptado de vários que criculam na net mas todos eles derivam essencialmente do método desenvolvido pela Betty Erickson, a mulher do pai da hipnose moderna o grande Milton H. Erickson.

Experimentem!!! E apreciem os resultados... :)

A estratégia abaixo é útil para se conseguir resultados comportamentais variados (você é que define quais serão). Não é estritamente necessário conhecer os "porquês" para que a técnica funcione, é suficiente o faça e descubra, mas seja como for, seguem-se alguns esclarecimentos.

Hipnose é um estado de atenção focalizada e concentrada. Entrar em hipnose envolve tirar sua atenção da experiência externa e direccioná-la internamente. Tipicamente, ao processar informação, privilegiamos um sistema de representação, que pode ser visual, auditivo ou cinestésico (sensações).
Um "estado alterado" de consciência ocorre quando se processa informação fora desse sistema de representação primário.

Existem dois pressupostos ou crenças fundamentam esta técnica. A primeira é que o entendimento da mente consciente não é necessário para se efectuar uma mudança. A prova disto são as várias coisas que aprendemos quando criança, como andar, falar e assobiar. O segundo é que pode confiar na sua mente inconsciente. Para que qualquer pessoa também acredite nisto, sugiro que testem essa afirmação na prática: faça de conta por alguns minutos que é verdade e veja o que acontece!


Vamos aos passos da auto-hipnose:

1) Posição confortável – Encontre uma posição que possa manter facilmente pelo tempo da prática. Pode ser deitado ou sentado, embora sentado seja melhor para evitar que durma. Centre-se olhando em frente e respirando lenta e facilmente. Relaxe.


2) Tempo – Determine o tempo que pretende levar e faça uma declaração sobre isto, como "Eu vou entrar em auto-hipnose por 15 minutos..." (irá ficar surpreendido ao descobrir como "relógio interno" pode controlar este tempo).


3) Propósito – Faça uma segunda declaração para si mesmo sobre seu propósito ao entrar em auto-hipnose. Neste propósito, nós permitimos à mente inconsciente trabalhar no assunto, ao invés de dar sugestões abrangentes, assim nossa declaração de propósito devemos reflectir este facto. Diga a si próprio: "...para o propósito de permitir à minha mente inconsciente fazer os ajustes apropriados para auxiliar-me em ______."

Preencha o espaço com o que quer obter, como "Acreditar mais que posso levar a cabo aquele projecto XPTO" ou "Aceitar mais a Joana como ela é..." ou "assistir as aulas de Química com mais motivação e prazer...". (mais importante que as palavras é o fato de que está a transferir este processo para a sua mente inconsciente).

Deve ser algo afirmado na positiva e nunca na negativa (por exemplo: "não assistir as aulas de Química com tédio e aborrecimento...")!


4) Estado de saída – Faça uma declaração final a si mesmo sobre como quer estar quando completar o processo. Tipicamente, em hipnose, ouvimos a ideia de que deve voltar sentindo-se "acordado, alerta e renovado", mas no mundo real isto pode não ser o que quer. Por exemplo, se vai fazer sua auto-hipnose antes de dormir, você pode preferir retornar "relaxado e pronto para dormir", ou pode preferir nem retornar e deixar que sua inteligência inconsciente trabalhe na questão a noite inteira. Se vai fazê-la antes de trabalhar, pode querer retornar "motivado e cheio de energia". Simplesmente diga para si mesmo "... e quando terminar, eu vou-me sentir_____"


5) Atenção externa - A partir desta etapa, deve entrar num ciclo de direccionamento da atenção. Comece, de olhos abertos, prestando atenção a três coisas visuais, uma de cada vez. Faça uma pausa (algo entre 3 e 5 segundos) em cada uma. Prefira pequenas coisas, como uma marca na parede, uma maçaneta, o canto de um quadro. Se quiser, dê os nomes: "Eu estou a olhar o parafuso da dobradiça da porta" ou "Eu estou a ver aquela coisa ali".

Em seguida, direccione a atenção para seu canal auditivo e note, uma a uma, três coisas que ouve (isto permite que os sons do ambiente sejam incorporados, ao invés de distraírem). Agora volte-se para o corpo e note três sensações corporais, também uma de cada vez. Vá devagar de um ao outro. Procure aquelas sensações que normalmente você não nota, como o peso dos óculos, a sensação do relógio de pulso, a textura da blusa.

Continue o processo com dois visuais, dois auditivos e dois cinestésicos.

Ainda lentamente, faça o mesmo para um visual, um auditivo e um cinestésico.


6) Atenção interna - Feche os olhos. Traga uma imagem à sua mente. Você pode construir uma ou simplesmente usar uma que vier. Pode ser um ponto de luz, uma praia bonita ou uma pizza. Se nada vier, sinta-se livre para "colocar algo lá". Se preferir, dê um nome à imagem.

Faça uma pausa e deixe que um som venha à sua percepção ou crie um e dê-lhe um nome a ele. Se ouvir um som no ambiente, pode usá-lo se preferir.

Agora, torne-se consciente de uma sensação e dê-lhe um nome. É preferível fazer isto internamente – use sua imaginação. Por exemplo, sentir o sol de verão aquecendo um braço, água fria molhando os pés, a sensação de dois dedos se tocando. Novamente, se uma sensação física chamar sua atenção, use-a.

Repita o processo com duas imagens, dois sons e duas sensações, sempre uma de cada vez. Novamente, com três imagens, três sons, e três sensações.


7) Completando o processo – Se você executar a sequência acima antes do tempo estabelecido, o que é normal, você pode continuar com 4 imagens, sons, sensações, depois 5 e assim por diante. Outra coisa que é costume fazer é simplesmente prestar atenção à respiração e apenas observando eventuais pensamentos. Algo assim como uma espera tranquila. Não é incomum "apagar" ou perder a consciência durante o processo.

Algumas pessoas em princípio acham que dormiram, mas em geral voltam automaticamente ao fim do tempo que estabeleceu. Isto é uma indicação de que não estava a dormir e de que sua mente inconsciente estava a fazer o que pediu.

Como quando definiu suas metas, no início, confie que sua mente inconsciente está a trabalhar em segundo plano. Não duvidar já é um bom começo!


Como em tudo no que diz respeito aos processos mentais, quanto mais se fizer, melhores os resultados!

terça-feira, 13 de abril de 2010

Mitos sobre Hipnose


Existem muitos, muitos mitos a circular acerca de hipnose. Neste post gostava de apresentar os mais comuns e dar uma pequena explicação de porque é que não é bem assim…


1. Nem toda a gente consegue ser hipnotizada.

FALSO. Todas as pessoas podem ser hipnotizadas se estiverem na posse das suas faculdades. Para se aprender algo novo, como ler ou escrever, ou até para ler um simples livro, a mente tem de entrar num estado alterado. Esse estado é muito semelhante ao de hipnose (transe ligeiro) pelo que se mente consegue uma vez, consegue todas as vezes. Existem realmente pessoas que entram mais facilmente em transe do que outras. É perfeitamente normal. Acerca deste mito Richard Bandler uma vez escreveu que a incapacidade de alguém ser hipnotizado diz mais acerca da experiência e da competência do hipnotizador do que de a mente da pessoa.


2. Em hipnose podemos fazer coisas ou dizer coisas que não estariam de acordo com os nossos princípios.

FALSO. Em transe, o paciente controla todo o processo e o hipnotizador simplesmente oriente. Estando em controlo, NUNCA fará algo que choque com os seus princípios ou dirá algo que não quereria dizer num estado normal. Muitas vezes usa-se hipnose para recuperar memórias ou pormenores de que a pessoa nem se lembra, mas a verdade é que a própria pessoa quer recordar, quer dizer, portanto continua a controlar. Em transe, se alguém receber uma instrução que choque com os seus princípios, essa pessoa desperta do transe e a hipnose termina (normalmente de forma abrupta).


3. Em hipnose não ouvimos, não sentimos e não vemos.

FALSO. Esse estado chama-se “morte”. Em hipnose, ouve-se, sente-se e pensa-se melhor.


4. Hipnose é o mesmo que dormir

FALSO. As ondas cerebrais são diferentes. Existe consciência, a pessoa pensa, sente e controla o seu estado.


5. Podemos não nos lembrar do que aconteceu.

FALSO. Só se não quisermos lembrar, e com apoio do hipnotizador. Se existir uma instrução que seja contrária ao que a pessoa quer (por exemplo, esquecer tudo quando essa pessoa quer recordar), isso choca com os seus valores e o transe é interrompido.


6. Podemos ficar em transe indefinidamente se algo acontecer ao hipnotizador

FALSO. Gradualmente a pessoa regressa ao seu estado desperto.


E estes foram alguns dos mitos que me ocorreram.

Qual foi o que me escapou…?

quarta-feira, 7 de abril de 2010

O que é Hipnose?


Existem muitas definições sobre o que é hipnose mas acredito que a mais simples e verdadeira é que hipnose è um estado alterado de consciência em que o consciente e o inconsciente podem ser focalizados e susceptíveis à mudança.


Todas as pessoas passam por esses estados de uma forma mais ou menos involuntária.


Já repararam quando estamos no semáforo e ele fica verde e continuamos ali parados sem reparar até o carro de trás apitar? Ou então quando conduzimos do ponto A ao ponto B e quando chegamos não nos lembramos da maioria da viagem porque viemos em “piloto automático”? Ou então quando estamos sentados, talvez numa esplanada, a sonhar acordados? Ou quando nos perdemos a ver um certo programa de TV? O que acontece nesses momentos? A mente “vagueia” e perdemo-nos em pensamentos… Esse estado alterado é uma forma de transe hipnótico.


Quando se fala em hipnose, não se fala em mais do que induzir esse transe de forma objectiva, no momento apropriado e com um objectivo concreto. Os objectivos são, normalmente, os de aceder a recursos que já temos no inconsciente mas aos quais não conseguimos aceder facilmente (ou de todo!) de forma consciente.


É neste sentido que a hipnose é usada em PNL e em coaching, para que o cliente consiga relaxar o suficiente para poder aceder a recursos do seu inconsciente ou integrar de forma mais profunda novos conhecimentos e novas aprendizagens. É uma ferramenta poderosa apesar de todos os mitos que circulam à sua volta.


Concretizando, ao aceder ao seu inconsciente, o cliente dispõe de muitos mais recursos para enfrentar os desafios que se lhe apresentam. Alguns dos muitos exemplos do uso actual da hipnose são o controlo de “maus hábitos”, o relaxamento, o controlo da dor, o reforço da confiança e da determinação, a alteração de comportamentos, a visualização, a obtenção de novas perspectivas, o apoio no tratamento de depressão, a melhoria da concentração, problemas de fala, insónia, fobias, etc.


Recordo-me de um colega que frequentou um curso de introdução à PNL na qual o trainer (que duvido que fosse realmente um NLP Trainer) lhe disse que não usava hipnose porque não tinha utilidade… (não irei comentar).


A verdade é que a hipnose tem sido usada ao longo dos milénios com muito sucesso. Claro que com nomes diferentes, mas se atendermos à definição, trata-se simplesmente de hipnose. A hipnose como hoje é conhecida beneficiou em muito grande medida do trabalho de uma vida inteira de Milton H. Erickson.


Ao longo da sua vida (que fica para outro post) ele desmistificou a hipnose, agilisou o seu uso e obteve resultados tão inegavelmente extraordinários que a hipnose passou a ser considerada uma prática legítima.


Muito do trabalho de Erickson, as suas técnicas, ideias e padrões não estariam hoje disponíveis se não fosse pelo trabalho dos dois criadores da PNL, Richard Bandler e John Grinder. Durante 11 meses eles viveram com Erickson, estudaram e modelaram todo o seu trabalho. Eventualmente publicaram dois livros que sintetizava tudo o que aprenderam (e cujo conteúdo o próprio Erickson aprovou, meses antes de morrer). Os livros “Patterns of the Hypnotic Techniques of Milton H. Erickson, M.D”, volumes I e II, tornaram-se, a par com a “The Structure of Magic”, nos fundamentos da Programação Neurolinguística e hipnose num dos seus instrumentos mais poderosos. Esta modelagem permitiu a muitos terapeutas e estudiosos, mesmo que sem interesse pela PNL, aprenderem as técnicas e ideias de Erickson.






É curioso referir que, inicialmente, quando Bandler lhe telefonou, Erickson desculpou-se com o muito trabalho que tinha em mãos (não era por nada que a sua alcunha era “O Milagroso”). Bandler respondondeu-lhe: “Some people Dr. Erickson, can find the time, acentuando as palavras “Dr. Erickson” e “find the time” naquilo que é uma forma conhecida de um comando hipnótico. O facto de Bandler, na altura um jovem estudante, ter usado um dos seus próprios padrões de linguagem “contra” ele, despertou o interesse de Erickson que reconsiderou o convite e eventualmente aceitou.


Posteriormente, muitos mais livros foram escritos e muitas das técnicas de Erickson foram refinadas e “aceleradas”. Richard bandler, em particular, dedicou e dedica muito do seu trabalho na PNL ao estudo, uso e melhoramento de técnicas hipnóticas.


E por hoje ficamos por aqui…


No próximo post, vamos falar de alguns mitos que por aí circulam sobre hipnose e sobre o transe hipnótico...